Como planejar melhor suas operações

Como planejar melhor suas operações

Prever demanda, projetar uma instalação industrial, criar o plano mestre de produção, definir uma sequência de produção, alinhar o planejamento de compras com a produção… Por onde começar?

O primeiro passo é saber que o PCP (Planejamento e Controle da Produção) de cada indústria é diferente, as necessidades são distintas e que, muito provavelmente, não existe um sistema de prateleira que seja capaz de atender completamente as características do seu negócio específico. Também é altamente provável que o planejamento da produção do seu empreendimento seja feito em planilhas eletrônicas, as quais apenas uma ou no máximo duas pessoas sabem de fato operar.

Para desmistificar o PCP, é preciso entender bem em qual tipo de estratégia de produção cada um dos seus produtos se encaixa (MTS, MTO, ATO, ETO). Para cada uma dessas estratégias de produção, a lógica do PCP é bastante diferente. Vale ressaltar que não é raro encontrar indústrias para as quais temos uma combinação dessas estratégias, ou seja, podemos ter produtos de linha com demanda mais constante e, ao mesmo tempo, temos produtos que só são feitos por encomenda. Além disso, temos produtos que são desenvolvidos para cada cliente. Imagine uma fábrica de móveis, podemos produzir banquetas que têm uma demanda constante, fabricar raramente mesas de tamanhos incomuns e, ao mesmo tempo, trabalhar com móveis planejados.

Uma visão detalhada de como devemos, em linhas gerais, tratar cada uma dessas estratégias é mostrada na figura abaixo.

Planejamento da Demanda

Independente da sua estratégia de produção, previsões usando métodos estatísticos são muito úteis. Prever o consumo de matéria-prima, produtos intermediários, ou produtos acabados pode dar uma vantagem significativa em termos de tempo de resposta ao cliente. Além disso, saber qual será a demanda de alguns itens pode ajudar muito no planejamento de médio e longo prazo, oferecendo, assim, insumos para projeções de fluxo de caixa.

Plano Mestre de Produção

Com informações sobre a necessidade de entrega de itens no horizonte de planejamento e da disponibilidade de recursos, é possível criar um plano de produção e de estocagem que não exceda a capacidade instalada e que será capaz de satisfazer a demanda. Vale lembrar que não é toda estratégia de produção que precisa do plano mestre.

Material Resource Planning (MRP)

Costumo brincar que essa é a lógica do “pra-traz-mente”. Uma vez sabida a necessidade de um item, podemos, através da árvore do produto e dos tempos de obtenção deles, planejar quando cada item será comprado, ou para quando será emitida uma ordem de produção para uma de suas partes. Essa lógica permite que as coisas sejam feitas no último momento possível. No entanto, isso é relativamente perigoso, ainda mais com greves de caminhoneiros, pandemias e outros eventos inesperados. Assim, para calibrar melhor essa lógica, podemos incluir estoques mínimos de produtos, tamanho mínimo de lote e lead time de fornecimento considerando níveis de serviço mais pessimistas.

Sequenciamento

Não é raro confundir o plano mestre de produção com o sequenciamento da produção. Para esclarecer de uma vez a diferença, vamos pensar em um exemplo. Imagine uma empresa que produz produtos envasados. Saber os produtos que serão produzidos na semana, considerando a capacidade instalada é responsabilidade do plano mestre. Agora, saber em qual ordem os produtos serão envasados é um trabalho do sequenciamento. O problema do sequenciamento é que ele, usualmente, é mais complexo que o do plano mestre e, geralmente, merece um desenvolvimento de um modelo matemático próprio. Quando isso não é possível, regras de despacho, ou técnicas Just In Time pode ser usadas. No entanto, vale ressaltar que essas últimas não garantem o ótimo matemático.

Distribuição

Como juntar todas as entregas necessárias por caminhão, gerar rotas de menor custo de modo a atender as datas limites de entrega sem enviar caminhões vazios? Isso já é bem complexo, certo? Agora, acrescente opções de coleta-e-entrega na mesma rota, frota heterogênea, diferentes modais de transporte e a necessidade de evitar movimentações sem carga. É disso que se ocupa as atividades relacionadas a função distribuição.

“Finalmentes”

Se isso ainda não é feito, já temos insumos para o início de um projeto de engenharia de operações.

Notou que ainda não falei do C do PCP? Acredito que existe, aqui, uma interface entre a engenharia de operações e a engenharia da qualidade. Na minha opinião, os processos de controle relacionados com o planejamento da produção são mais facilmente controlados usando os métodos da qualidade. Além disso, a gestão de indicadores deve seguir a mesma metodologia usada pelos sistemas de gestão da qualidade.

Nós da Solverus acreditamos que o aumento da produtividade melhora a vida das pessoas. Somos uma consultoria industrial que atua dentro do escopo da Engenharia de Produção para aumentar a produtividade dos sistemas produtivos de nossos clientes. Temos 3 grandes linhas de atuação, engenharia de qualidadeengenharia de operações e a pesquisa operacional.