Produtividade versus Produção

Produtividade versus Produção

Produtividade versus Produção

Um erro bastante comum é confundir Produtividade e Produção. Não raramente, quando perguntamos qual a produtividade da empresa, a resposta está mais próxima da capacidade de produção do setor produtivo do que da produtividade em si. Isso não teria nenhum problema se essa mistura de conceitos não gerasse tantos problemas práticos na gestão do negócio. Uma definição prática para separar esses dois conceitos pode ser: 

A produtividade é uma medida de eficiência, já a produção é uma medida de eficácia. 

Caixa de TextoPara entender mais claramente, vamos imaginar uma indústria, conforme a Figura 1. 

A eficácia pode ser observada nos itens relacionados às saídas, como o número de produtos produzidos sem defeitos para o cliente. Já a eficiência, geralmente, é um percentual, como o número de itens produzidos, sem defeitos, dividido pelo total de itens produzidos. Nesse caso, quanto mais próximo de 100%, maior será a eficiência e consequentemente a produtividade do negócio.  

De um ponto de vista financeiro e considerando que todas as entradas e saídas podem ser transformadas em dinheiro, poderíamos calcular a produtividade geral da empresa como o lucro do negócio dividido pelas receitas totais. Indicadores financeiros conhecidos e largamente utilizados para esse fim são, dentre outros: a margem líquida e a margem de EBITDA.  

Na prática, como esse tipo de medida financeira não tem um significado físico, uma parte considerável dos colaboradores terá dificuldade em relacioná-la ao trabalho do dia a dia. (Atenção: esse fator é um dos motivos para que metas financeiras não sejam alcançadas). Por isso, é necessário traduzir esses termos financeiros em medidas mais próximas da realidade física. 

Nessa tentativa de traduzir medidas financeiras de maneira prática, podemos medir a produtividade em termos dos vários fatores de produção, como energia elétrica, horas trabalhadas etc. Dessa forma, podemos responder perguntas importantes para o negócio, como: 

  • Quanto de energia elétrica é gasto para produzir cada unidade do produto sem defeito? 
  • Quantas toneladas de matéria-prima são necessárias para produzir uma tonelada de produto acabado? 
  • Quantas horas são necessárias para concluir um serviço com qualidade?  

Quando colocamos isso para o pessoal da produção, não raramente, eles entendem essas medidas como sendo fixas, e em parte eles têm razão. Caso a maneira de trabalhar seja mantida, os resultados serão os mesmos. Nesse ponto, a tecnologia e a criatividade humana têm um papel fundamental na superação dos desafios práticos do dia a dia.  

Para deixar ainda mais prático, em vez de olharmos para medidas como gasto de energia por produto produzido, podemos olhar diretamente para a perda. Assim, considerando um gasto padrão de energia elétrica por produto, todo gasto adicional deve ser considerado como perda.  

Isso vale para qualquer outro parâmetro. No entanto, devemos tomar cuidado para definir esse gasto padrão da maneira mais “apertada” possível. Por exemplo, quando consideramos o tempo de produção mínimo, não podemos considerar o tempo de não agregação de valor, como períodos esperando, transportando materiais e outros.  

Controlar a perda tem um significado físico bem mais claro para todos os envolvidos, e em última instância, tem um impacto direto na produtividade financeira. Parece resolvido, mas não está. A quantidade de indicadores para gerenciar também pode se tornar um problema.  

O ideal é começar com poucos indicadores, idealmente apenas um, e depois ir evoluindo e acrescentando mais indicadores. Por exemplo, se a empresa é intensiva em mão de obra, provavelmente o mais interessante seja controlar apenas as perdas de tempo na produção.  

Agora, se a mão de obra já estiver bastante otimizada, o ideal seria olhar para as perdas financeiras mais significativas e usar a regra do 80/20 ou princípio de Pareto, para selecionar os indicadores que serão trabalhados. 

Uma vez escolhido(s) o(s) indicador(es) voltado(s) para o aumento da produtividade, a empresa precisa incorporá-lo(s) ao sistema de gestão da qualidade. A partir desse sistema, serão gerados planos de ação voltados para melhorias desses indicadores com soluções criativas e tecnológicas.  

Muitas vezes, a necessidade de treinamento, contratação de mão de obra especializada e até mesmo consultorias técnicas específicas tem sua origem nesses planos de ação. 

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